Até certo ponto, um livro vive em um circuito pequeno: escrever, escolher, cortar, revisar, diagramar, imprimir. Quase tudo ainda pode ser recolhido para a mesa e alterado.
A publicação muda essa escala. O livro entra em um envelope, passa por outras mãos, chega a uma estante que a editora não conhece e encontra experiências que não estavam presentes durante a escrita. Uma passagem secundária para quem escreveu pode se tornar o centro da leitura de outra pessoa.
Por isso, circulação não é apenas deslocamento físico. Um livro circula quando produz relações que não estavam previstas: uma imagem encontra uma memória, um argumento encontra uma discordância, uma pergunta encontra outro campo de experiência.
Para uma editora independente, essa passagem faz parte da própria publicação. Não basta terminar um arquivo ou fabricar um objeto. Publicar também é construir condições para que a obra consiga sair do lugar em que nasceu sem controlar o que acontecerá depois.
Publicar, então, não encerra o trabalho. Encerra apenas uma etapa de controle. O resto começa quando o livro passa a ser lido por alguém que não estava à mesa.
